10ª Semana do Empreendedorismo da FGV

Evento tem o objetivo de incentivar a cultura empreendedora dentro da FGV, mostrar cases de sucesso e apresentar ferramentas úteis para quem quer empreender

Por ALice Sosnowski


Professor Tales Andreassi, coordenador do FGVcenn abre a
10a Semana de Empreendedorismo

Aconteceu na FGV entre os dias 19 e 23 de maio a 10a Semana do Empreendedorismo da FGV.  Com o objetivo de apresentar o universo das startups e empresas nascentes no país, a semana contou com diversos painéis e palestrantes que contaram suas trajetórias e deram dicas preciosas para agir no universo empreendedor. 

Dentro da programação da Semana de Empreendedorismo aconteceu também a Feira de Empreendimentos dos alunos do segundo semestre do curso de graduação em Administraçnao de Empresas.  Entre os 36 projetos apresentados, três foram vencedores: Medfiles, Grafftarte e Tá na Mão.

Para o professor Tales Andreassi, coordenador do Centro de Empreendedorismo da FGV, o sucesso da Semana prova que o empreendedorismo é uma opção de carreira para muitos jovens que saem da faculdade. "No FGVcenn estamos há 10 anos estimulando esta cultura empreendedora entre os estudantes", afirmou. 

A 10a Semana do Empreendedorismo foi totalmente gratuita e contou com o público interno e externo da FGV. O evento contou com o patrocício do Sebrae Nacional e teve como produtora audiovisual a Apecatu. 

Leia abaixo um resumo do que aconteceu em cada um dos painéis: 

1)    GEVENIANOS EMPREENDEDORES

Neste painel, Leo Zysman (Guia Escola Certa), André Camargo (One Two) e André Romeiro (Easy Blue) falaram das expectativas de entrar no mundo empreendedor. Para Leo Zysman, “empreender não significa ficar milionário da noite para o dia. É o caminho de quem busca melhorar a sociedade e a vida das pessoas”.

Ainda jovens, os empreendedores recém-saídos da FGV se mostraram maduros para enfrentar o mercado. “Apenas uma ideia no Power Point não ganha investimento. É preciso realizar", afirmou André Camargo.

Foi numa viagem de barco pela Croácia que André Romeiro viu a lacuna no Brasil e decidiu criar um marketplace de aluguel de barcos para o público brasileiro. Com a ajuda de amigos e muita pesquisa na internet, conseguiu fazer o protótipo do site para validar a sua ideia. “O legal deste universo de startups é que todos querem se ajudar e com pouco dinheiro consegui colocar o negócio de pé”, contou Romeiro.  Para ele, a faculdade dá suporte estratégico e motivação para seguir em frente. “Aqui, obtive suporte e sócio. O nome da FGV impulsiona muito”, finalizou.

2)    FRANQUIAS – MEU AMIGO PET

O painel sobre franquias, apresentado por Daniel Nepomuceno, CEO da loja Meu Amigo Pet, teve a sala lotada. Com uma apresentação otimista sobre o mercado pet, Nepomuceno mostrou que no país tem quase 50 milhões de animais de estimação.

Com um conceito voltado para os amantes de pets, a franquia começou em 2013 e em poucos meses foi aprovada pela ABF (Associação Brasileira de Franquias). Para Nepomuceno, as franquias tem a vantagem de criar padrões de atendimento, divulgação, cobertura de estoque e conversão e também são capazes de ajudar o franqueado a escolher o melhor lugar para abrir uma loja. “Hoje, os softwares de geomarketing ajudam a encontrar o quadrilátero de consumo da região e, por consequência, os melhores pontos de venda do mercado”, diz.

Nepomuceno também falou sobre os desafios de empreender: “Você precisa responder a uma pergunta todos os dias: por que os clientes compram na sua loja?”.  A loja Meu Amigo Pet tenta resolver isso apresentando ambientes agradáveis para o consumidor amante de animais. 

3)    EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA

Com a presença do consultor do Sebrae Getulio Vaz, o tema Educação Empreendedora foi discutido na FGV. Vaz iniciou a palestra mostrando como a educação empreendedora provoca mudanças no comportamento das pessoas; e que isso pode ser usado na abertura de um negócio e também dentro de empresas já estabelecidas.

O consultor apresentou os produtos do Sebrae que compõem o Programa Nacional de Educação Empreendedora, como Jovens Empreendedores (para o ensino Fundamental), Crescendo e Empreendendo (ensino Médio), Pronatec Empreendedor (nível Técnico) e o Desafio Universitário (para o ensino superior). Segundo Vaz, todos estes programas oferecem metodologias próprias e sistematizadas de empreendedorismo.

Para o consultor do Sebrae, as pessoas saem destes cursos mais propensas a abrir um negocio. E mesmo se não abrirem, estão mais preparadas para o mercado e os desafios dos tempos atuais. “A perspectiva de arrumar um emprego estável é remota nos dias de hoje. Os jovens precisam estar preparados para a vida”.

4)    MULHERES NA TECNOLOGIA

Com a presença da programadora Camila Achutti, a palestra “Mulheres na Tecnologia” mostrou o crescente mercado de computaçnão para o público feminino. Camila, que tem apenas 22 anos, mas um currículo extenso (Formada em Ciência da Computação pelo IME-USP , Engenheira de Software da ONG Iridescent e  fundadora do blog Mulheres na Computação) promou porque as mulheres podem sim se aventurar neste meio.

“A tecnologia pode mudar a forma como interagimos com o mundo”, afirmou. Ela, que já estagiou no Google e hoje é uma das embaixadoras do movimento Technovation Challenge do Brasil, deu exemplos de aplicativos criados por meninas de diversas partes do país que mudaram a perspectiva das pessoas. “O Technovation Challenge é uma competição que inspira meninas a se tornarem criadoras e empreendedoras”,  afirmou.

A jovem programadora disse que faz questão de inspirar e convidar mais mulheres a empreender no mundo da tecnologia. “Hoje tenho uma vida que me permite conhecer coisas novas, trabalhar em diferentes lugares. Isso tudo por causa da minha escolha profissional”, conta. Para Camila, a inovação só acontece quando existe diversidade. E, por isso, as mulheres precisam estar mais presentes. "O futuro está na tecnologia", concluiu. 

5)    O PROCESSO DE CRESCIMENTO ACELERADO: 12 MESES NA VIDA DE UMA STARTUP

Três startups, três empresas em diferentes estágios, trabalhando em áreas diversas. Em comum, três empreendedores apaixonados por seus negócios. Assim foi o painel sobre startups, que contou com a presença de Cinthia Gaban (Professores de Plantão), Ivan Bermudes (CondLink) e Danilo Mambretti (Carbono Zero Courier).

Após contar a trajetória de sua empresa, Cinthia afirmou que a perseverança é a maior qualidade do empreendedor. “A gente sempre pensa que vai ser mais rápido do que realmente é”, disse. Para  Ivan Bermudes, da CondLink, o principal para se manter na rota é não perder a essência e o propósito da empresa.  Bermudes deu também uma dica: “Antes de arrumar um sócio, trabalhe na confiança por um tempo para ver se é isso mesmo que você quer”. 

Numa pegada mais sustentável Danilo Mambretti contou como sua empresa aproveitou uma oportunidade para se estabelecer no mercado. “Fomos os primeiros a oferecer o serviço de courier via bike”.

Todos eles explicitaram as dificuldades financeiras do início e a demora em ver o retorno do investimento. Para eles, empreender é uma jornada  que precisa ser planejada. Mas os erros fazem parte e a ansiedade é comum. Para isso, a solução é ter foco e paciência.

6)    GESTÃO DE CRISE: LIÇÕES PARA EMPREENDEDORES A PARTIR DO CASO DE UMA GRANDE EMPRESA

Uma aula magna sobre gestão de crise. Assim foi a palestra do comandante David Barioni Neto, ex-presidente da TAM, ex-CIO da GOL, e atual presidente do Grupo Facility. Barioni foi o responsável pelo gerenciamento dos principais acidentes aéreos que o Brasil já passou.

“Crise é o que tira o seu sono à noite”, simplificou Barioni. “Para enfrentar a crise é preciso treinar, ter um plano de ação”, explicou. E completou: “As crises não desaparecem sozinhas. Elas precisam ser gerenciadas para reduzir seus efeitos negativos."

Um dos principais ensinamentos transmitidos por Barioni é o de que a crise deve ser encarada com personalização. "É preciso transformar o CNPJ em CPF e encarar os problemas de frente", afirmou. A resposta rápida também é de suma importância. “Não existe frase pior do que “"os donos foram procurados e nao foram encontrados". 

Barioni também explicou que a crise não pode acabar com o dia a dia da empresa e por isso é preciso depositar energia também nas outras operações da empresa. “É preciso saber quem vai gerir a crise e quem vai tocar a empresa”, disse. Para concluir, Barioni afirmou que uma empresa que resiste à crise é vencedora.

7)    ONDE MONTO A MINHA EMPRESA

O último painel da Semana de Empreendedorismo focou no local de trabalho. Para aqueles que querem começar ou estão na dúvida de onde manter a sua empresa, o painel esclareceu vários formatos, desde o home office, passando pelo coworking e pelo escritório virtual.

Ana Fontes, proprietária do coworking Natheia, defendeu que o modelo de coworking propicia networking e colaboração entre as empresas. “Tem pessoas que se conheceram e montaram sociedade no meu espaço”, disse. Victor Gradilone, do Virtual Office, esclareceu a diferença entre o escritório virtual e o coworking. “Lá você pode ter o endereço fiscal e terá sempre alguém (seja uma secretária ou atendente) para representar sua empresa”, afirmou.

Por fim, o trabalho em casa foi defendido como uma forma de manter a concentração e ser mais produtivo no dia a dia. “Para quem trabalha sozinho, este formato combinado com saídas de networking, foi o que se mostrou o mais adequado para minha profissão”, explicou a jornalista Alice Sosnowski. 

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